Cruelty free: o que significa, como identificar o selo e qual a diferença para vegano
Você já virou um cosmético para procurar o coelhinho no rótulo? Ele indica que o produto é cruelty free, ou seja, livre de testes em animais.
Mas o desenho nem sempre conta a história inteira. Existem selos auditados, selos criados pela própria marca e muita confusão entre cruelty free e vegano.
Neste guia, você vai entender o que significa cruelty free, o que mudou na lei brasileira, como identificar um selo confiável e como reconhecer um cosmético vegano pelo rótulo.
O que é cruelty free?
Cruelty free significa "livre de crueldade". Na beleza, o termo indica que nem o produto final nem os seus ingredientes foram testados em animais, em nenhuma etapa do desenvolvimento, seja pela própria marca, por fornecedores ou por laboratórios contratados.
No lugar dos animais, marcas cruelty free usam métodos alternativos. Entre eles estão modelos de pele reconstruída em laboratório, culturas de células, simulações em computador e testes clínicos com voluntários humanos.
Cruelty free vale para os ingredientes também?
Sim, e esse é o ponto que mais gera dúvida. Uma marca pode não testar o produto final e, mesmo assim, comprar matérias-primas que fornecedores testam em animais.
Por isso, as certificadoras mais rigorosas analisam a cadeia inteira. A Cruelty Free International, dona do selo Leaping Bunny, exige que a marca monitore os fornecedores de forma contínua e passe por auditorias independentes.
"Não testado em animais" é o mesmo que cruelty free?
Na prática, as duas expressões querem dizer a mesma coisa. A diferença está na comprovação: qualquer marca pode escrever a frase na embalagem, mas só um selo de terceiros mostra que alguém verificou a promessa.
Cruelty free no Brasil: o que diz a Lei 15.183/2025
Desde 31 de julho de 2025, o Brasil proíbe testes em animais para cosméticos. A Lei nº 15.183/2025 trouxe quatro mudanças principais:
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Proíbe testes em animais vertebrados vivos para cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal, inclusive os de segurança e eficácia;
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Vale também para ingredientes usados exclusivamente nesses produtos;
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Impede o uso de dados de novos testes em animais para liberar a venda, salvo quando o teste foi exigido por uma regulação não cosmética;
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Proíbe expressões como "não testado em animais" e "livre de crueldade" em produtos cuja segurança foi comprovada com esses novos testes.
Se a lei já proíbe, o selo cruelty free ainda importa?
Importa, por três motivos.
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Produtos e ingredientes testados antes da lei continuam liberados para venda.
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A lei abre exceções, como testes exigidos por regulações de outras áreas.
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As autoridades sanitárias têm até julho de 2027 para regulamentar a rotulagem e a fiscalização.
Um selo independente vai além da lei. Ele avalia fornecedores, define uma data de corte e repete a verificação periodicamente.
Como identificar o selo cruelty free
O selo cruelty free mais comum é um coelho, porque esse animal estava entre os mais usados em testes de cosméticos. Só que o desenho, sozinho, não garante nada. O que dá valor ao selo é a entidade por trás dele.
Principais selos cruelty free e veganos
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Leaping Bunny (Cruelty Free International): garante que não há testes em animais em toda a cadeia, com monitoramento de fornecedores e auditoria independente. Não avalia ingredientes de origem animal.
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Te Protejo (ONG Te Protejo): certificadora latino-americana que analisa documentos e declarações dos fornecedores. Mantém uma lista de marcas certificadas à venda no Brasil.
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Beauty Without Bunnies (PETA): atesta o compromisso de não testar em animais; a versão "vegan" também exclui ingredientes de origem animal. Em 2025, a PETA deixou de certificar marcas da América Latina.
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Selo Vegano (Sociedade Vegetariana Brasileira): garante a ausência de ingredientes de origem animal e de testes no produto e nos ingredientes. Certifica produto a produto, não a marca inteira.
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Vegan Trademark (The Vegan Society): segue os mesmos critérios do Selo Vegano, com alcance internacional e certificação por produto.
A mudança da PETA merece atenção. Em 2025, a organização restringiu o programa a marcas dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Índia. Por isso, o coelhinho da PETA em uma marca brasileira pode não estar mais válido.
Como saber se uma marca é cruelty free: passo a passo
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Procure o nome da certificadora junto ao coelho. Sem nome, provavelmente é um selo da própria marca.
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Consulte a lista oficial da entidade, como a lista de marcas da Te Protejo ou a busca de produtos do Selo Vegano SVB.
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Leia a política da marca no site. Veja se ela fala de fornecedores e ingredientes, não só do produto final.
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Descubra a qual grupo a marca pertence. Algumas pessoas evitam marcas cujo grupo controlador ainda testa em animais.
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Na dúvida, pergunte ao SAC qual é a data de corte e como os fornecedores são controlados.
Sinais de alerta no rótulo
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Coelho genérico, sem o nome de nenhuma entidade;
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Frases como "produto final não testado", que deixam os ingredientes de fora;
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Promessas vagas, como "ético" ou "consciente", sem explicar o que significam.
Diferença entre cruelty free e vegano
A diferença entre cruelty free e vegano está no que cada termo avalia. Cruelty free trata de testes: o produto não foi testado em animais. Vegano trata da fórmula: o produto não contém ingredientes de origem animal.
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Cruelty free: avalia testes em animais. Pode conter mel, cera de abelha ou lanolina. Selos de referência: Leaping Bunny e Te Protejo.
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Vegano: avalia ingredientes de origem animal. Só garante a ausência de testes quando é certificado, como no Selo Vegano SVB e no Vegan Trademark.
Resumindo: um batom com cera de abelha pode ser cruelty free sem ser vegano. Já um produto que se diz vegano, sem certificação, pode ter ingredientes testados por fornecedores. O ideal é escolher cosméticos que reúnam as duas coisas.
O que é um cosmético vegano?
Um cosmético vegano não leva ingredientes de origem animal nem derivados, como mel, cera de abelha, leite, colágeno animal ou corantes extraídos de insetos.
O jeito mais seguro de reconhecer um cosmético vegano é o selo. Sem ele, vale olhar a lista de ingredientes (INCI) no verso da embalagem.
Ingredientes de origem animal mais comuns no rótulo
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Cera Alba (Beeswax): cera de abelha, comum em batons e bálsamos.
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Mel (Honey): aparece em máscaras e sabonetes.
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Lanolin: gordura da lã de ovelha, usada em hidratantes labiais e cremes.
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CI 75470 (Carmine): corante extraído da cochonilha, presente em batons e blushes.
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Squalene: óleo que pode vir do fígado de tubarão.
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Keratin e Hydrolyzed Collagen: proteínas de origem animal em produtos capilares e antissinais.
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Snail Secretion Filtrate: muco de caracol, comum em séruns e cremes.
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CI 75170 (Guanine): pigmento das escamas de peixe, usado em sombras e esmaltes perolados.
Alguns ingredientes, como glicerina (Glycerin) e ácido esteárico (Stearic Acid), podem ter origem vegetal ou animal. Nesses casos, só a marca ou o selo confirmam.
Vegano, natural e orgânico não são sinônimos
Um cosmético vegano pode ter ingredientes sintéticos. Um produto natural pode conter mel. E um orgânico garante o cultivo sem agrotóxicos, mas não a ausência de ingredientes animais. Para entender melhor esses conceitos, veja nosso guia sobre beleza limpa.
Cruelty free na Ziel: da uva da Serra Gaúcha ao seu skincare
A Ziel é cruelty free e não testa seus produtos em animais. Além disso, as fórmulas reúnem ingredientes de origem vegetal, óleos essenciais naturais e ativos de upcycling da uva da Serra Gaúcha.
O ponto de partida é o upcycling na cosmética: casca e semente de uva que seriam descartadas pelas vinícolas viram ativos. Veja como isso aparece nos produtos:
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O Óleo Corporal de Uva combina óleo de semente de uva orgânico, óleo de oliva e óleo de amêndoas doces. Hidrata com toque seco, usando apenas óleos vegetais.
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O Óleo Facial de Uva tem 100% de ingredientes de origem natural, com rosa mosqueta e óleo de semente de uva upcycling.
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A manteiga corporal de capim-limão e pimenta preta aposta em manteiga de karité e óleo de coco, ambos de origem vegetal.
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O sabonete facial em barra para peles oleosas usa hemiesqualano, alternativa vegetal ao esqualeno, com argila verde e carvão ativado.
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O shampoo em barra para todos os tipos de cabelo leva casca e óleo de semente de uva orgânicos, sem embalagem plástica.
No skincare de tratamento, o Sérum Antimanchas une resveratrol nanoencapsulado e niacinamida. Portanto, para conhecer melhor o ativo, leia nosso guia sobre resveratrol. Enquanto isso, o protetor solar facial em bastão FPS50 tem filtro 100% mineral e embalagem plastic-free.
